Ainda era noite, um frio, barulho de chuva lá fora. Esqueci que tenho todo um cronograma de manhã e liguei a soneca duas vezes. Pulei da cama e travei uma corrida contra o tempo. Ontem era um dia que não poderia perder o ônibus do trabalho. Na mamada da madruga, ele vem para a nossa cama e termina a noite com a gente. E de manhã, quando sente que saí da cama, acaba acordando. Mas ontem consegui me arrumar correndo, sem fazer barulho e logo sem acordar. Acabei saindo para trabalhar sem amamentá-lo.

Passei o dia na rua  me dividindo entre trabalho e outras questões burocráticas da vida. No final do dia ganhei um vale happy-hour do marido e da minha mãe. Encontrei alguns amigos, bati papo, me diverti. Cheguei em casa antes das nove. Estava crente que ainda pegaria ele acordado. Nada, já estava dormindo.

Dormiu com a minha mãe. E segundo ela, em no máximo quinze minutos. Comigo, num dia tranquilo, pelo menos meia-hora. Situações como essa, em que estou longe de casa na hora de dormir, são raras. Acabou que dormimos juntos alguma parte da noite nos dois dias, mas não interagimos ontem. Ele “não me viu” nas últimas vinte e quatro horas. E hoje, de manhã também não, sai antes dele acordar. Marido disse que ele ficou meio choroso, me procurando pela casa.

Dá uma dó, um aperto no coração. Mas, por outro lado, eu estou precisando desses momentos de “independência”. Quem me acompanha/conhece sabe como mergulhei na maternidade. Desde que Biel nasceu eu fui responsável por quase tudo em sua vida. Amo participar e me dedicar a cada detalhe. Mas às vezes, só às vezes, sinto que preciso de férias.

Sou humilde. Não peço um mês, nem uma semana. Já andei fazendo uns cálculos loucos e cheguei a conclusão de que precisava de 18 horas (D-E-Z-O-I-T-O) de “férias” por mês.  Explico: umas oito horas para sair para jantar, ir ao cinema com o marido ou até mesmo sair para beber com ele e amigos. Depois chegar em casa e não ter que cuidar de ninguém (nem de mim) e dormir a noite toda, umas dez horas seguidas até meu corpo doer de tanto dormir.

Por enquanto, ainda não é possível. E digo isso não só por ele, mas por mim também. Mas aos poucos vamos caminhando para esta direção, no nosso ritmo. Porque na maternidade não há certo ou errado, e sim o que funciona hoje e amanhã talvez não.

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