Faz parte do crescimento da criança o domínio sobre suas próprias vontades. Quando bebê é normal a criança chorar para expressar o descontentamento com alguma situação. Conforme a criança vai crescendo, deixando a fase bebê para trás, cabe aos adultos mais próximos incentivar o uso das palavras ao invés do choro.

Desde pequeno Biel compreende o que falamos e responde com gestos e ações, mas quando ele não gostava de algo, chorava. Sei que cada criança tem um tempo, mas no início do ano estava tensa em relação a isso. Conversando com mães e profissionais, vi que só era necessário me preocupar caso ele fizesse três anos e estivesse muito atrasado ou não falasse nada. Fato é que com dois anos ele ligou o botão da “fala” e deu um salto. Cada semana que passa é uma novidade, uma coisa nova.  Hoje em dia ficar uma semana sem vê-lo, é possível perceber como ele mudou, adquiriu vocabulário – palavra das avós.

Estou curtindo muito essa fase e suas descobertas, mas ainda estava na luta para quando ele não gostasse de algo, ao invés de chorar, verbalizar seus sentimentos. Quando acontecia algo e ele chorava, eu acolhia a cria e explicava que ele não precisava chorar por isso e sim dizer que “não quero”, por exemplo.

E de umas semanas para cá, quando alguma brincadeira sai do controle que ele quer (por ex. agarrações), ou incomoda de alguma forma, ele olha para mim (como se pedisse apoio para vontade dele ser respeitada) e fala “não quero”, “não pode”, ao invés de chorar. Eu, por vez, fico olhando do lugar onde estava, sem me meter na situação, dando o apoio que ele precisa com o olhar ou um aceno de cabeça.

Ao meu ver, essa consciência corporal, a verbalização de suas vontades, são de extrema importância para sua construção como indivíduo. Ele conhecer os seus limites e se sentir respeitado também.

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