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Mãe

todos os substantivos

Mãe By 13 de novembro de 2013 Tags: 13 Comments

Estou em busca pela Júlia, esposa, cidadã, mulher, profissional, filha, irmã, etc, ou seja, a busca por todos os substantivos, qualidades e adjetivos que posso abrigar dentro de mim menos o de mãe, que sou e respiro 24 horas por dia.

Desde que voltei a trabalhar precisava de uma foto minha para atualizar um projeto no trabalho. Uma foto sem o Biel. Percebi que desde que o Biel nasceu, nunca mais tirei foto sozinha. Na verdade, eu quase não apareço nas fotos. Fotografo Biel diversas vezes por dia (mãe coruja a gente vê por aqui, afinal que mãe não é?), filmo, fotografo Biel com o pai, etc, mas fotos minhas com o Biel são poucas e fotos minhas simplesmente não existem.

Poderia usar uma foto feita por fotógrafo profissional tirada em julho do ano passado. Naquela época eu já estava grávida e nem sabia, mas simplesmente não queria, sabe? Aquela foto não me representa mais, o tempo foi passando, mantive uma foto minha grávida e deixei de lado. Mas isso foi me incomodando, ontem cheguei no trabalho e pensei “de hoje não passa”. Pedi ao amigo e padrinho de casamento que tirasse uma foto minha. Ele tirou algumas, eu escolhi duas. Uma publiquei no projeto e a outra no instagram.

Recebi diversos elogios nas duas e fiquei feliz (quem não ficaria? hehehe), ainda mais se formos levar em consideração, que nos últimos sete meses e meio eu deixei de ser o centro da minha vida e foquei toda minha energia e atenção no meu pequeno.

Acho que esse é um dilema que todas as mulheres passam em algum momento pós-maternidade. Lembro que minha mãe, que sempre foi super vaidosa, depois do parto da minha irmã deixou de se arrumar por um tempo. Passou a usar calças e blusas largas e olha que ela sempre teve um corpão, nunca foi gorda. Era simplesmente falta de tempo ou de vontade de se arrumar. Até que um dia numa conversa eu falei isso para ela… e eu tinha cerca de onze/ doze anos. Eu era nova, mas isso me marcou profundamente. Aos poucos ela foi retomando sua identidade, sua vaidade.

Não saio mais com as amigas para tomar chopp, não faço mais a unha com frequência, não passo mais creme no corpo e não lavo mais o cabelo todos os dias, muitas vezes acordo, prendo o cabelo e só solto na hora de dormir, não compro mais roupas e acessórios para mim, etc. Mas, tendo como referência a minha mãe, tento sempre sair arrumadinha, passar maquiagem, mesmo que básica. Porque não é porque somos mães que temos que andar com cara de acabada por aí. Só pelo fato de ter esse cuidado, já ouvi de muitas pessoas “nem parece que você tem filho pequeno”.

Alguns incômodos corriqueiros são mais profundos do que a gente pensa, nem sempre é fácil descobrir o que está por traz de certos sentimentos. Bem antes de engravidar, eu duvidava da minha capacidade de ser mãe. Não me entendam mal, eu sempre quis ser mãe, mas eu achava que não daria conta, que não teria forças, disposição.

Hoje, sete meses e meio depois, vejo que estava errada, que substimei a minha capacidade. Não sou perfeita e nem quero ser, mas tenho plena consciência de que sou “muito” mãe. “Muito” porque me joguei na maternidade. Aprendi, errei, me desesperei, chorei, voltei atrás, amei e amo muito todos os dias, todos os minutos. Mas chegou o momento de que preciso me reencontrar mais como individuo e menos como mãe. Talvez seja o início do processo de separação ou o início do fim da nossa fusão emocional. E isso dói, sabe?

Não tenho a resposta de como fazer para me reencontrar e achar o equilíbrio entre meus papéis antigos e os novos. Meu pequeno ainda exige muito de mim e eu amo e preciso disso. Por mais cansada que eu esteja tentando me reequilibrar, isso me alimenta. Enquanto não chego a uma conclusão, vou me contentando com as pequenas coisas. Nesta semana, com a minha primeira foto sozinha.

foto de mãe

Júlia, mãe, esposa, amiga, filha, sobrinha, tia, profissional, etc

 

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Rotina casa – trabalho

Bebê | Criança, Mãe By 17 de outubro de 2013 Tags: 12 Comments

Acordo antes das seis da manhã para tomar banho, me arrumar e ficar semi-pronta. Daí acordo o Biel, dou o peito, troco a fralda, coloco a roupinha para ir para creche, penteio o cabelo, limpo o narizinho e deixo ele brincando um pouco enquanto vê televisão. Pego o meu sanduíche que o marido preparou e coloco o leite materno (LM) congelado e coloco na bolsa térmica. Termino de me arrumar, enquanto conto para ele como será o nosso dia. Normalmente Rodrigo deixa ele na creche e eu busco. Dou beijo nos dois homens da minha vida e antes das sete da manhã já estou no elevador.

Encontro uma amiga na portaria do meu prédio, pego o carro e rumo para o trabalho. Chego no trabalho por volta de sete e vinte da manhã e lá fico pelas próximas nove horas. Graças a minha equipe de trabalho me estresso, mas também me divirto. Depois do almoço dou uma paradinha no trabalho para tirar LM.

Saio de lá quatro e meia da tarde morrendo de saudades do meu pequeno. Pego o carro novamente e, num dia normal, chego em casa em meia-hora. Subo em casa rapidinho para deixar o LM na geladeira.

Ando o mais rápido que consigo para chegar na creche, pego meu pequeno e volto conversando com ele sobre o nosso dia.

Chego em casa, coloco ele para brincar no tapetinho. Coloco um dvd de música e entre uma brincadeira e outra começo a organizar as coisas para o dia seguinte. Lavo e esterilizo três mamadeiras, uma bomba de tirar leite e um potinho de guardar leite. Como não cabe tudo de uma vez, faço duas levas de oito minutos no micro-ondas. Coloco para secar e começo a organizar as coisas para dar banho.

No banho é aquela festa! Ele ama! Ama todas as modalidades: ele sozinho na banheira só com a água, ou com os brinquedinhos, ou quando toma banho comigo direto no chuveiro. Depois é sair, enxugar, colocar fralda e pomada noturna, roupinha. Deixo ele brincando um pouquinho mais, enquanto me arrumo. Nesse momento já está rolando um soninho. Rola uma esfregadinha de mãos nos olhos, às vezes um chorinho, um denguinho.

Aí é parar o que estiver fazendo para dar peito pela próxima uma hora. Leite materno não é só alimento. É amor, é aconchego. Então, esse é o momento do dia que temos para nos curtir, reforçar e estreitar o nosso laço que às vezes fica tão distante por conta da correria do dia a dia. Esse também é o único momento do dia em que vejo tv.

Ele adormece, desligo a tv, coloco no berço e continuo os preparativos para o dia seguinte. Como as mamadeiras, bicos e potes não secam sozinhas em tão pouco tempo, seco tudo com papel toalha. Separo o que vai para mochila da creche (mamadeiras) e o que vai para a minha bolsa (bomba e pote de armazenar). Vejo a previsão do tempo do dia seguinte e separo três mudas de roupa para mandar para creche. Lavo as roupas sujas naquele dia, estendo no varal para secar e finalmente vou lanchar. Escovo os dentes, converso um pouco com o marido e vou dormir. Pronto, acabou o meu segundo turno de trabalho do dia.

Com sorte, Biel vai acordar duas vezes na noite apenas para mamar. O que não tem acontecido, com a creche, saltos de desenvolvimento e picos de crescimento, as noites tem sido caóticas. Ele tem acordado bastante e agora deu para acordar todos os dias às cinco da manhã. Delícia! Só que não!

E assim tem sido os meus dias. É cansativo, é sim, muito. Ainda estou me adaptando ao ritmo de trabalho duplo, por isso o blog anda abandonadinho. Tenho várias ideias de posts, mas a ordem é: ele dormiu, tenho que dormir também.

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Semana Mundial do Aleitamento Materno

Amamentação, Bebê | Criança, Mãe By 2 de agosto de 2013 Tags: , , 9 Comments
Leite materno exclusivo até os seis meses de vida

Semana mundial de aleitamento materno

Estamos na ‪#‎SMAM2013‬, a Semana Mundial de Aleitamento Materno e como eu acredito e MUITO nesta causa não poderia deixar passar em branco aqui no blog. E para comemorar, registrar, vou compartilhar com vocês a minha experiência de amamentação. 

Mais do que alimento, nesses quatro meses de vida descobri que amamentar é mais do que isso. Amamentar é conforto, é amor, aconchego. Por isso, sempre que Biel me procura estou disponível para ele, de corpo e alma.

Durante a gravidez eu tive dois grandes medos: cair numa cesárea e não conseguir amamentar. Cesárea porque com a realidade que temos hoje de obstetras no Brasil, eu tinha medo de ser enganada e receber um falso diagnóstico de cesárea ou ainda não ter dilatação, meu corpo travar, etc. E amamentar… sei lá vai que meu corpo não produz leite, vai que minha mente e meu emocional me travam, vai que eu não gosto da sensação, …

Biel nasceu e passou a primeira hora de vida mamando em meu seio esquerdo para ajudar a minha placenta a sair e daí não parou mais. Ele nasceu numa segunda e na quinta o meu leite desceu de fato, antes ele estava sendo alimentado pelo meu colostro.

Não vou dizer que foi fácil. Durante o nosso aprendizado (meu e dele) neste novo ofício, meu seio esquerdo ficou bem machucado e ficou assim por um mês. Não chegou a sangrar, mais ficou ferido e depois que a ferida cicatrizou passou mais um mês sensível. Para amamentar neste seio eu tinha que me concentrar, não conseguia conversar por exemplo. O direito ficou menos ferido e logo logo ficou bom para a guerra.

Neste tempo recorri ao Instituto Fernandes Figueira para acertar a pega e foi fundamental. Peguei sol alguns minutinhos por dia no seio (sol cicatriza). Na minha cozinha bate sol alguns minutinhos toda manhã, eu aproveitava para tomar café e pegar o solzinho. Quando não tinha sol, eu pegava o secador de cabelo e secava bem o seio depois das mamadas. Guardar o seio úmido ajuda a deixar a pele sensível. Ah, depois das mamadas eu também “espirrava” um pouco de leite e passava no mamilo e auréola, o leite materno (LM) tem propriedades cicatrizantes também. Outra coisa que fazia e que me ajudou muito foi ficar com os seios expostos em casa para “arejar”. Nos primeiros dois meses, eu não recebi visita de pessoas de fora da família (somente pais, irmãos e sogros), então passava muito tempo só com o Biel em casa ou só com o Rodrigo, o que facilitou o índia feelings.

Tentei usar aquela pomada lansinoh que comprei na viagem, mas comigo não adiantou muito. Tanto que usei algumas vezes e nunca mais toquei. Estou com vários tubos da pomada fechados aqui em casa. Durante esse tempo que passei com o seio machucado recebi diversas dicas, mas como não utilizei não vou compartilhar porque não sei se elas funcionam. Prefiro compartilhar só o que utilizei.

Meus planos para o aleitamento:
– Amamentar exclusivamente até os seis meses. Biel entra na creche com cinco meses, vou tirar leite e enviar para creche,
– Se possível, mesmo depois que introduzir a alimentação, quero continuar a livre demanda até um ano de idade,
– E se possível ir até ele completar um ano e meio e começar o desmame de forma natural.

Para terminar o post em homenagem a Semana Mundial do Aleitamento Materno, compartilho um texto que aponta os benefícios da amamentação para o baby e para mãe.

Benefícios do Aleitamento Materno (retirado do Portal da Saúde do Governo)
O leite materno é um alimento completo. Isso significa que, até os 6 meses, o bebê não precisa de nenhum outro alimento (chá, suco, água ou outro leite). Depois dos 6 meses, a amamentação deve ser complementada com outros alimentos. 

É bom que o bebê continue sendo amamentado até 2 anos ou mais. Quanto mais tempo o bebê mamar no peito, melhor para ele e para a mãe.

Benefícios para o bebê 
– O leite materno tem tudo o que o bebê precisa até os 6 meses, inclusive água, e é de mais fácil digestão do que qualquer outro leite, porque foi feito para ele.
– Funciona como uma verdadeira vacina, protegendo a criança de muitas doenças.
– Além disso, é limpo, está sempre pronto e quentinho.
– A amamentação favorece um contato mais íntimo entre a mãe e o bebê.
– Sugar o peito é um excelente exercício para o desenvolvimento da face da criança, ajuda a ter dentes bonitos, a desenvolver a fala e a ter uma boa respiração.

 Benefícios para a mãe
– Reduz o peso mais rapidamente após o parto.
– Ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, diminuindo o risco de hemorragia de anemia após o parto.
– Reduz o risco de diabetes.
– Reduz o risco de câncer de mama e de ovário.

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Licença maternidade

Mãe By 10 de julho de 2013 Tags: 25 Comments

“Tudo que é bom dura pouco”, clichê mais é verdade. Minha licença maternidade tem dia e hora para acabar. Ainda falta mais de um mês, mas já estou sofrendo há algum tempo. Já sonhei duas vezes que voltava a trabalhar e que passava o dia chorando na frente do computador.

Consegui cinco meses e quinze dias. Quatro meses de licença maternidade – perguntei a minha empresa se ela queria aderir ao programa empresa cidadã e me dar seis meses de licença, mas ouvi um sonoro não –, mais um mês de férias e mais quinze dias de licença amamentação. Queria muito, mais muito mesmo os seis meses de licença.

A OMS aconselha o aleitamento exclusivo por seis meses e eu acredito nisso. O que quinze dias faria de diferença na minha vida? terminar a amamentação exclusiva com toda tranquilidade e carinho que ela merece.

Mas como não consegui, esses quinze dias restantes necessitará de dedicação e uma logística maior para tudo dar certo. Biel começa a adaptação na creche em 19 de agosto, ou seja, ao completar cinco meses. Ainda não sei muitos detalhes da adaptação, mas pelo o que a coordenadora pedagógica me explicou ela será gradativa, um pouquinho por dia, até ele ficar um dia inteiro, o que irá coincidir com a minha volta ao trabalho.

Enquanto estiver em casa, vou mandar leite materno congelado e vou lá amamentar pelo menos uma vez por dia para ele ir se acostumando aos poucos. Nos quinze dias seguintes até ele completar seis meses vou mandar muitos “ml’s”  do meu leite congelado. Só quero a introdução de frutas e alimentos quando ele tiver de fato seis meses. E como trabalho muito longe da minha casa, não vou conseguir ir lá durante o expediente.

No mundo ideal, eu ficaria um ano em casa com o Biel. Conseguiria terminar a amamentação exclusiva com tranquilidade, participaria ativamente da introdução de alimentos na vida do meu filho e acompanharia sua evolução na descoberta de cores e sabores.

Mas não rola… Não posso ficar sem trabalhar por diversos motivos e também nem é a minha ser dona de casa. Não posso me dar o luxo de parar de trabalhar – o meu salário é importante na renda da nossa família, segundo que a recolocação no mercado de trabalho não é fácil e terceiro que a minha equipe de trabalho é bem legal. Enfim… já que um ano realmente não rola e nem os seis meses, já estou trabalhando internamente para lidar melhor com a separação que vai acontecer em breve.

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Rotina: tudo igual

Bebê | Criança, Mãe By 6 de junho de 2013 Tags: 13 Comments

“Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã”

Demorei a sacar que eu precisava interromper a minha vida quando Biel dormia a noite. Aproveitava para ver tv, conversar com o marido, me atualizar de coisas na internet, tomar banho demorado, me sentir uma pessoa normal de novo, sem filho, sabe?

Acontece que eu estava ficando mega cansada, porque eu praticamente ia dormir quando ele acordava para a primeira mamada da noite. E no início, ele não era tão eficiente com a mamada, então todo processo demorava mais de uma hora. Acabava que eu dormia muito pouco, mas muito mesmo. Tipo quatro horas por noite e cochilo durante o dia é artigo raro. Logo, me peguei umas duas vezes sem paciência de manhãzinha.

Isso não estava certo e por isso resolvi vestir a camisa de que nos próximos meses minha vida será assim: ele dorme, eu durmo. Com algumas exceções para curtir a vida e o marido.

Com isso nossa rotina ficou assim; entre seis e sete da noite dou banho nele, coloco a fralda noturna, dou o peito, coloco para arrotar e berço! Isso costuma ir até umas oito e meia da noite, mas tem dias que ele apaga sete e pouca.

Aí começa a minha correria para tomar banho, comer, dar “oi” para o marido, checar a vida social e ir deitar. Nesta altura já estou com saudade do meu filho. Checo o berço dele milhares de vezes antes de ir dormir. Olho o rostinho, a respiração, vejo se a mão ou o pé estão frios, cubro se houver necessidade, desligo a luz de “emergência” e deito na cama.

Acham que agora vou dormir? n-ã-o! Pego o celular e olho todas as fotos/ vídeo que tirei/filmei dele naquele dia. Vejo elas até perder a conta e o cansaço me vencer. Aí dou uma olhada no aplicativo que controlo as mamadas, fraldas e sono, vejo quanto me resta até ele acordar e por último peço a Deus e aos amigos espirituais que cuidem e abençoem seu sono…. aí sim, boa noite!

ps. post escrito com apenas uma mão, pois a outra estava segurando o Biel no colo enquanto ele dormia. Ser mãe é a arte de aprender a fazer tudo com uma mão por questão de sobrevivência! rs

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maternidade X solidão

Mãe By 14 de maio de 2013 Tags: , 10 Comments

Nos primeiros dias, marido foi meu fiel companheiro, mas como a licença paternidade só dá direito a cinco dias corridos, durou pouco tempo. Aí foi a vez de minha mãe assumir, ela tirou férias do trabalho e veio ficar comigo quase todos os dias por três semanas. O cuidado com o Biel era de minha responsabilidade, mas sua presença era importante. Ela cuidava de mim, da minha alimentação e o melhor, me fazia companhia. Nos dias que ela não podia, minha irmã e meu pai assumiam.

Mesmo que apenas algumas horas por dia, essas companhias eram fundamentais para a minha sanidade mental e física. Até porque no início tudo é meio caótico. Biel e eu nos conhecendo… A demanda por atenção era grande. Não que ele não demande hoje em dia, mas agora ele já consegue ficar sozinho no berço ou na cadeirinha se distraindo sozinho por alguns minutos. No início, tinham dias, que eu acordava às seis da manhã para amamentar e só conseguia comer algo por volta das onze da manhã. Almoçar? tomar banho? artigo de luxo e raro. Além do mais, agora já estou mais sagaz, já descobri maneiras de entretenimento mesmo que sejam por cinco minutos, desenvolvi a técnica de fazer tudo com uma mão só, enquanto a outra segura a cria e por aí vai.

As férias da minha mãe acabaram e meus dias passaram a ficar vazios. Minha irmã tem seus compromissos e consegue vir aqui no máximo uma vez por semana, meu pai idem. Os restantes dos dias sou eu, Biel, Biel e eu. Por isso, a nossa rotina de passeio é tão rica, mas mesmo assim às vezes me sinto muito sozinha. Por mais que eu ame o meu filho e a gente fique grudadinhos vinte e quatro horas por dia e é uma delícia… ele ainda não conversa, né?  Sem contar que a maioria das visitas só podem vir fora do horário comercial. Acaba que o meu dia a dia é muito solitário.

Sem falar nas madrugadas amamentando. Talvez quem dê mamadeira sinta menos, porque dar a mamadeira é uma tarefa unisex e pode ser divida com o pai. Mas dar o peito é tarefa exclusiva da mãe. Então, são mais dois momentos do dia que eu fico sozinha, interagindo com o Biel, a televisão e as redes sociais.

Conversando com outras amigas, vejo que não estou sozinha. Muitas mães possuem o mesmo sentimento. Diante disso, cheguei a conclusão de que a maternidade é a solidão mais coletiva que existe.

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A minha maternidade

Mãe By 12 de maio de 2013 Tags: , 8 Comments

Hoje é dia das mães, o meu primeiro.

Há um mês e vinte quatro dias vivi dois nascimentos: o do meu filho e o meu como mãe. Neste tempo, estamos nos conhecendo e aprendendo juntos esse novo ofício. Ele se acostumando as sensações, aos incômodos fisiológicos, aos estímulos, medo, carência, carinho, etc. Eu, por vez, administrando e tentando suprir todas suas necessidades e as minhas também.

Com suas devidas proporções, o ser mãe nasce tão imaturo e indefeso quanto um recém-nascido. Somos seres repletos de medos, dúvidas e incertezas, buscando dar o nosso melhor para aquele serzinho que depende exclusivamente de nós.

Nessas sete semanas, estou me redescobrindo como mulher, filha, irmã, cidadã. Todos os papéis que já exerci na vida estão passando por uma transformação e sendo reposicionados, repensados.

Agora sou mãe. Com todo o cansaço, desgaste físico e psicológico que pode ser gerado por noites dormindo pouco e o medo do desconhecido (incluindo o medo do filho) tenho vivido a fase mais plena e feliz da minha vida.

Sou MÃE em caps lock e em negrito, porque faço questão de lamber minha cria e estar disponível para ele sempre que precisar. Amamento sempre que ele quer ou necessita, dou colo, carinho, falo que amo, canto, converso, explico as coisas da vida, peço desculpas e tento fazer a maior parte das coisas que envolve a sua rotina.

Em suas primeiras semanas de vida não consegui colocá-lo para dormir no berço porque sentia saudade / insegurança dele ficar longe de mim, do meu corpo. Fui e sou responsável por todos os banhos de sua vida (inclusive o da maternidade). Troquei 98% de suas fraldas e por aí vai.

Sou mãe-leoa com um quê de polvo. Tenho a consciência de que eu deveria delegar mais, mas por enquanto não sei ser diferente.

Já chorei de cansaço e algumas horas depois chorei de saudade porque ele estava dormindo. Contraditório? Imagina! Se está certo ou errado, não sei. Quem sabe o tempo nos dirá. Só sei que por enquanto está funcionando para a gente. A cada semana percebo que ele está mais carinhoso, seu corpinho está mais forte, duro e coordenado e sua percepção está mais aguçada. Cada dia é uma descoberta e eu só tenho a agradecer por esses cinquenta e cinco dias da minha nova vida.

Feliz dia das mães para mim e para todos os tipos de mães =D

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meu caminho – parte II

Gestação, Mãe By 13 de março de 2013 Tags: , 21 Comments

Ao longo desses quase nove meses de gestação dediquei meu tempo, meu olhar para as mudanças que estavam ocorrendo na minha vida, no meu corpo, na minha mente e qual seria melhor caminho para o meu filho e minha família. Brinco que as escolhas que fiz ao longo desse tempo possuem três justificativas: religiosas, fisiológicas e por amor. Neste caso, a ordem não importa, todas as escolhas são igualmente importantes.

Sempre quis parto normal e apesar da ordem acima não importar, o meu despertar começou com minha crença religiosa. Sou cristã, kardecista. E ao ler o livro “Nossos filhos são espíritos”, uma luzinha se acendeu em minha cabeça sobre a importância não só da criação/ educação, sobre a responsabilidade de ter um filho, mas também sobre o momento da concepção, do nascimento e dos primeiros momentos de vida daquele serzinho.

Nascer é tão ou mais difícil do que morrer. É doloroso, existe o medo do que há por vir. Se enganam os que acreditam que os bebês não possuem consciência, pelo contrário. Eles são bem conscientes durante o período gestacional e em seu primeiro ano de vida. E isso não é explicado apenas pela minha crença religiosa, mas também pela fisiologia do obstetra francês Michel Odent. E se existem formas de minimizar tudo isso ou de tornar o nascimento mais amoroso, menos frio e mecânico, eu, Júlia, farei de tudo para tornar essa passagem mais tranquila não só para o meu filho, mas também para a construção da minha família.

Logo na segunda consulta, minha obstetra entregou um livro para meu marido ler: A cientificação do amor, e me deixou como dever de casa a leitura também. O livro de Odent é maravilhoso e merecia diversos posts profundos, mas não me sinto com propriedade para falar tão a fundo sobre o assunto, então vou pincelar o que mais me chamou a atenção.

No livro, ele aborda a importância para um curto e crítico período de tempo logo após o nascimento que traz consequências no que concerne nossa capacidade de amar. Esse período pós-parto (na qual normalmente a mãe é separada do filho pelos procedimentos padrões e estadia no berçário) é crucial para a formação de vinculo entre a mãe e o bebê.

Ele comprova isso com estudos de pesquisadores sobre o comportamento de outros animais que tem como hábito lamber a cria logo após o nascimento. Esse ritual é fundamental para a criação de vínculo entre mãe e filho. As mães que não foram permitidas a realizar esse ritual, lamber a cria, e que foram separadas delas, não reconheceram seus filhotes após certo tempo, ou seja, perderam seu instinto maternal. Poderíamos incluir neste processo de vinculação o ato de amamentar logo após o nascimento.

Quando falei lá em cima sobre a consciência do bebê mesmo durante a gestação, parto e em seu primeiro ano de vida, existem estudos que comprovam que o estado emocional que a mãe se encontra durante esse período pode ter efeito a longo prazo nos campos da sociabilidade do individuo e em sua capacidade de amar – seja a si próprio ou aos outros.

Michel Odent fala também sobre os riscos de intervenções durante o parto. Seja psicológico, seja fisiológico. Os mamíferos desenvolveram uma estratégia para não serem observados quando dão a luz. Na nossa sociedade, as pessoas que estão acompanhando o parto tentam influenciar neste processo, como se elas fosse protagonistas daquela história e esquecendo do reais donos da situação são a mãe e o bebê.

Para um trabalho de parto (TP) correr de forma tranquila e evoluir, o cérebro libera uma descarga de hormônios (ocitocina, endorfina, prolactina, entre outros) ativando a sua área mais primitiva, que é comum a todos os mamíferos, e desativando a sua área “racional”, chamada de neocortex. Quando ocorrem intervenções, esta última área do cérebro não consegue se desligar por completo, dificultando a evolução do TP.

É comum ouvirmos falar que uma mulher em TP ativo parece estar em outra dimensão. Ela se desvincula do nosso mundo rumo a uma viagem interior. Essa mudança no nível de consciência pode ser interpretada como redução na atividade neocortical. Procurando colaborar com esses aspectos fisiológicos, que hoje em dia se fala tanto em parto humanizado, com luz baixa, temperatura agradável, sem bate-papo excessivo entre os envolvidos, expressões de ordem e buscando passar uma sensação de segurança para aquela mãe concentrada.

E da mesma forma que a mãe recebe essa enxurrada de hormônios, o bebê também recebe. Tanto que imediatamente após o parto, o bebê é capaz de reconhecer sua mãe, seja pelo ofato ou pela audição.  Olha aí, mais um argumento sobre a importância do período pós-parto.

Bem, o livro aborda muito mais detalhes, levanta diversas questões, mas essas foram as que me chamaram a atenção e fazem parte da minha “justificativa”. Diante disso tudo e voltando um pouco para a minha religião, uma vez absorvido o conhecimento e consciente das consequências, impossível ficar alheia a tudo isso.

O que eu quero? Quero estar conectada com o Gabriel, quero liberdade, afeto, compreensão, apoio durante o TP do meu marido e da equipe que escolhi para este momento tão especial. Após o nascimento, que ele venha para o meu colo para que eu possa “lamber minha cria”, que meu marido/pai corte o seu cordão umbilical após parar de pulsar e que a gente fique ali, todos transbordando ocitocina e sacramentando a nossa família.

Vocês devem estar se perguntando, “mas e o amor”? Ele permeia cada linha desse texto, é a razão da minha atual existência, da minha busca, da minha entrega. Pelo amor ao meu filho, ao meu marido (que me escolheu para a missão de ser mãe do seu filho) e a minha família, vou encarar os meus medos, mas também descobrir a minha força, vou de encontro a minha alma.

texto dedicado ao meu marido, Rodrigo e ao meu filho, Gabriel.

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Cremes durante a gravidez

Gestação, Mãe By 5 de fevereiro de 2013 Tags: , , 14 Comments

cremes_gravidez

Logo no início da gravidez fui na minha dermato para saber o que poderia usar. Grávidas tem uma série de restrições e eu não queria usar nada que fizesse mal. Levei todos os meus cremes e saí com a indicação de alguns outros. Um dos maiores medos da mulher são as malditas manchas no rosto e as estrias.

Para as manchas no rosto, continuei usando o filtro solar que já usava antes: minesol da Roc. Para estrias, ela me passou um creme da dermage que eu achei caro demais e desisti de comprar. Já tinha a ideia de viajar para fazer o enxoval e resolvi deixar para comprar o creme na viagem. Aproveitei a dica da amiga-mãe-dinda e me joguei no Softlotion da Johnson’s, sempre compro esse da foto, que tem cheirinho gostoso e custa cerca de cinco reais. Não deixa a pele melecada e super atendeu as minhas necessidades de hidratação.

Quando a barriga começou a crescer, comecei alternar o creme da Johnson com esse creme da L´Occitane, que possui concentração de 25% de Manteiga de Karité e deixa a pele bem hidratada, que eu tinha ganhado de presente do marido ano passado e até então não tinha usado porque ele é muito concentrado. Comecei a usar principalmente a noite, para evitar de ficar muito melecada durante o dia.

Quando viajei para NY para fazer o enxoval, comprei o famoso Mustela, que é próprio para gravidez. Alterno ele com o bom, bonito e barato creme da Johnson e o óleo da Natura da mamãe e bebê. Para não ficar grudenta nesse calor do Rio de Janeiro, passo o óleo dentro do banho, antes da última chuveirada, ou seja, antes de sair do banho tiro o excesso do óleo.

Ou seja, a maioria dos cremes que estou usando não são específicos e acho que obviamente muita coisa (assim como na fase do casamento) é feito/ oferecido para vender mais e fazer a gente gastar dinheiro. Acho que o importante é desde do primeiro momento que descobrir a gravidez hidratar a pele para ela ficar elástica e se hidratar bem (beber água). Mas eu acho que a necessidade de hidratação profunda só aparece mesmo a partir do quarto/ quinto mês, porque é quando de fato a barriga dá uma esticada e começa a crescer de verdade.

Eu tenho estrias no bumbum, porque desenvolvi meu corpo muito novinha (com dez anos) e nesta idade eu queria é brincar de boneca e não ligava para passar creme, né? O meu primeiro obstetra dizia que estria é mais uma questão de tendência. Bem, como eu não quero correr o risco, passo religiosamente os cremes no barrigón de manhã e de noite! hehehe

Por último, mas não menos importante: o Lansinoh. Também comprei na viagem, mas ainda não comecei a usar! Este é para usar nos seios, ele previne, protege e trata as fissuras nos mamilos. Por ser totalmente natural, não precisa ser removida antes das mamadas. É recomendado começar a passar um mês antes do nascimento para “preparar” a pele. Ainda não comecei. Devo começar por volta da 34ª semana.

E vocês? que cremes usaram?

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Gravidez: 26ª semana

Gestação, Mãe By 17 de dezembro de 2012 Tags: , , , 12 Comments
Barriga de grávida

Acompanhamento semanal da gravidez: 26ª semana.

26ª semana! Esta semana Biel resolveu dar sinal de vida! Foi um festival de mexidinhas, socos, chutes e até soluço! Antes era difícil sentir ao longo do dia, mas agora ele está totalmente desinibido, é durante a reunião de trabalho, no ônibus, em pé, sentada trabalhando… uma d-e-l-í-c-i-a! Juro, amo muito!

Esta semana tivemos mais uma consulta com a obstetra e como sempre levei minha listinha de perguntas hahahah Uma amiga comentou comigo que minhas perguntas eram muito elaboradas, eu acho mais que estou para leiga que tem a mente criativa ahahahah

Levei para ela a questão do inchaço nas mãos e a dormência, como eu meço minha pressão pelo menos uma vez por semana e ela está sempre baixinha 10/6 ou 11/7 descartamos a hipótese de pressão alta. Até porque o inchaço começou mesmo quando a temperatura aqui no Rio aumentou de verdade, em NY por exemplo não fiquei inchada.

Agora, sobre a dormência na mão direita foi engraçado. Toda terça eu recebo a newsletter do Baby Center Brasil e uma das chamadas das matérias desta semana era: “Como lidar com a dor e o formigamento nos dedos“, exatamente o que ando sentindo. O melhor foi marido ler ao mesmo tempo que eu e me encaminhar o link. Segundo o BCB, estou sofrendo da síndrome do túnel do carpo. O esforço repetitivo (computador o dia inteiro), inchaço e a retenção de líquidos pressionam o nervo mediano causando o formigamento/dor. Conversei com minha obstetra e ela falou que é normal e que acontece bastante com as grávidas. De qualquer forma quero ver se vou no ortopedista, de repente coloco uma tala imobilizadora para ficar em casa, dormir.

Conversei também sobre o que senti nas pernas durante a viagem para NY e ela disse que sentiu a mesma coisa durante a gestação da filha, me recomendou fazer drenagem e a hidro. Já comecei a drenagem, nunca tinha feito antes. Estou fazendo com uma amiga que atende em casa.

Ela me pesou (passei dos seis quilos), escutou o coraçãozinho do meu filho, mediu minha pressão e mediu o tamanho da barriga. Perguntei qual seria o tamanho dele mais ou menos, ela disse que deve estar pesando cerca de 700g e que com 28 semanas ele deve estar com aproximadamente 1kg.

Perguntei quando seria a próxima ultra, ela falou que clinicamente seria com 35 semanas e perguntou se eu queria vê-lo antes. Eu falei que não precisava, porque já estava sentindo ele mexer e tal, mas aí o marido (que não pode ir nesta consulta) perguntou: “e eu? poxa, eu não sinto ele o dia todo”. Achei justo, pedi para dra. fazer um pedido e deixar com a secretária para eu buscar! heheheh

Ela vai viajar neste período de festas, mas me deixou o contato de outra obstetra, de duas enfermeiras obstetra. Acho que estou bem amparada =)

No  mais, o problema do colchão ainda não foi solucionado, o blog anda sem posts porque foi aberta temporada de eventos de final de ano (happy hour, confraternizações, amigo-oculto, etc).

Ah, semana que vem tem novidades fashionistas para as gravidinhas!

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