No início do ano circulou um vídeo sobre uma entrevista de emprego que emocionou muita gente por aí. Eu fui uma delas, que chorei copiosamente. O trabalho exigia atenção 24h, sem direito a férias, remuneração, benefícios e até direitos básicos como itens de sobrevivência, como comer, ir ao banheiro, etc. Todos se emocionaram e ficaram chocados ao saber que esse emprego existe e tem muitos candidatos por aí… Afinal, o mundo ta cheio de “mães”.

Mesmo com o término da minha licença maternidade aos cinco meses de vida, sempre me envolvi muito em sua criação e em todas as etapas de seu desenvolvimento. Foram raras as vezes em que deleguei os seus cuidados. Simplesmente porque não conseguia. Em parte, culpa da minha personalidade controladora de querer estar por dentro de tudo que acontecia com ele, em parte também para compensar o tempo que passo longe dele no dia a dia.

O meu ano foi/está sendo complicado. Diversas coisas acontecendo em minha vida pessoal e profissional, me sentindo totalmente sufocada e sobrecarregada. Lá pelo meio do ano, fiz um post em que eu pedia pelo menos dezoito horas de folga da maternidade. Precisava respirar, não ter ninguém para cuidar… nem de mim. Queria um tempo para fazer algo além trabalhar e cuidar do meu filho.

Até então Biel dormir fora de casa não era uma opção… Principalmente porque o desmame ainda não aconteceu e eu achei que ele fosse surtar se ficasse uma noite longe de mim e do peito.

Mas aí … eu achei que fosse surtar. E de fato eu estava totalmente sem paciência com ele e isso estava me entristecendo. Não queria me tornar naquele tipo de mãe que eu estava me tornando, sem paciência e com uma lista enorme de burocracias a serem resolvidas para dar conta de toda rotina. Ele por sua vez estava uma criança chorosa, irritada… Parece que em algum ponto perdemos a nossa conexão e estava difícil resgatar.

Então surgiu uma viagem para Búzios, batizado da filha de um casal amigo. Teria que ser um bate-volta de 24h por que domingo era eleição. Pronto, já estava sofrendo por antecedência pelo caos. Acordar de madrugada para viajar, pegar horas de estrada, chegar lá com Biel, correr o dia inteiro para cima e para baixo atrás do ser andante numa casa cheia de escadas, no dia seguinte acordar cedo e pegar estrada de volta.

Até que… eureca! Uma luz se acendeu na minha cabeça e pensei… e “se deixasse Biel com a minha mãe no final de semana”. Perguntei para o marido, que no início ficou reticente de deixarmos logo ele dois dias dormindo fora, mas logo me deu apoio diante de meus argumentos. Perguntei para minha mãe que logo se animou.

Na sexta, peguei Biel na creche junto com a minha mãe, deixei eles na casa dela e peguei a estrada com maridon. O final de semana foi ótimo, super corrido, mas mesmo assim curtimos bastante. Domingo, depois dos compromissos cívicos realizados, pedi para minha mãe ficar mais um pouco com Biel para almoçar com o marido. Confesso que ainda não estava preparada para encarar a realidade de volta, ainda queria mais uns minutinhos para descansar. Mas escureceu e eu tive que encarar a minha realidade de mãe novamente, não teve jeito.

Mas mesmo não sendo tempo suficiente para descansar 100% e esfriar a cabeça, foi ótimo. Ótimo para mim, ótimo para o marido, ótimo para o Biel. Achei que ele voltou “desestressado” e feliz com a nova experiência. Falante, cheio de novidades.

Ah, vale ressaltar, que Biel dormiu super bem nas noites que passou fora. Brigou um pouco contra o sono, mas depois que apagou foi tranquilo. Acordou de noite, mas bebeu agua e emendou no sono novamente. Sucesso total.

Desde então repetimos a dose duas vezes. Mais uma com minha mãe e outra com minha sogra. Nas duas ocasiões ele não ficou tanto tempo como nesta primeira, mas serviu para cumprirmos nossa agenda de compromissos que não eram baby-fiendly.

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