Hoje teve mais um encontro com a enfermeira obstetra, desta vez contamos com a participação especial do maridón! Ele estava meio tenso, sem saber o que iria encontrar pela frente, mas saímos nós três com sorriso no rosto e a certeza de que estamos no caminho certo.

A intenção da participação dele nos encontros é criar um vínculo entre nós três (já que ela estará presente num dos momentos mais importantes de nossas vidas), aumentar o vínculo entre nós dois e prepará-lo para o que pode acontecer durante um TP, que não é uma receita de bolo ou uma combinação de equações matemáticas. Afinal, o homem participa da gravidez de uma forma diferente da mulher. Mesmo ele estando super envolvido com todo processo, no momento do parto ele ocupa dois papéis: ator e expectador, pois não é ele que sente a dor, a contração e todos os outros sintomas. Então, eles precisam estar preparados para entender todo processo e não ficarem tensos/ preocupados. A primeira reação (instinto) deles é cuidar/ proteger a mulher. Deve-se tomar cuidado com essa tensão deles, pois ela pode passar para gente (Biel e eu) e nos atrapalhar.

A E.O. começou explicando para o Rodrigo sobre o primeiro estágio do trabalho de parto (pródromos), sua fisiologia, suas características, as contrações irregulares. Explicou o que é a dor da contração, que é nada mais que o corpo se preparando, se “esticando” para a passagem do baby, que primeiro vem a dilatação do colo do útero (que é o que recebe nota de 0 a 10 – praticamente apuração de escola de samba, dilatação: dez! hahah péssima a piada) e depois começa a dilatação do canal vaginal.

Aí ele levantou a questão da demora do TP, que isso pode ser agoniante para ele, ela explicou que ao contrário do que se pensa, um TP rápido demais pode ser intenso e nem sempre é o melhor. O importante é dar o tempo para o corpo agir e se abrir. Ele também levantou a questão de eu não querer anestesia, de querer de fato um parto natural. Essa parte foi bem bacana porque ela explicou fisiologicamente que a descarga de adrenalina que o corpo recebe nesta hora ajuda a anestesiar.

O parto é um momento de entrega e de renascimento. Renascimento meu, do Rodrigo, do nosso amor e o nascimento do nosso filho. Apesar de nos conhecermos, nos amarmos, nos respeitarmos, o parto é um processo revelador, no qual minha alma estará desnuda e que isso irá nos conectar de uma outra forma.

Ela perguntou se a gente conhecia o livro da Laura Gutman (A maternidade e o encontro com a própria sombra), falei que tinha ganho de uma amiga e que o Rodrigo já tinha lido o capítulo sobre a paternidade. Ela pediu para ele ler também sobre o parto. Já eu, estou atrasada com minhas leituras, ainda preciso terminar de ler o livro que minha obstetra me passou.

O papo foi ainda mais profundo e durou mais de uma hora, mas não consigo lembrar de tudo. Aproveitei e tirei outras dúvidas sobre o momento do parto e do pós-parto. Ela contou da monografia de final de pós-graduação dela sobre a importância do cordão umbilical, de não cortá-lo logo em seguida do parto, de esperar parar de pulsar. Esta parte foi ótima, porque vi que tudo que pensei/ sonhei para o meu parto, faz parte do ideal de trabalho dela e da minha obstetra.

Aprendemos algumas respirações que podem ajudar durante o TP. No próximo encontro que o Rodrigo for, ela vai mostrar um vídeo de um parto natural, que eu já vi e vai continuar explorando o tema parto. Ela passou esse exercício de respiração para a gente fazer juntos em casa.

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