Com cinco meses e meio, ele começou na creche, eu voltei para o trabalho. Nossa primeira separação. Entre mortos e feridos, nos salvamos todos. Ele fica bem lá, gosta das tias, dos brinquedos diferentes, dos amiguinhos. Apenas uma vez, ele chorou desesperado para vir para o meu colo na hora da saída, me deu um aperto no coração. Ele chorou e eu quase chorei.

Dezoito de setembro chegou e ele fez seis meses. No dia seguinte fomos no pediatra para a consulta do sexto mês e pegar as indicações sobre introdução alimentar (I.A.). Tinha combinado na creche, que a IA só começaria hoje (23/9), pois eu seria a primeira pessoa a dar papinha de fruta, salgada, suco e tudo mais.

Óbvio que antes de chegar no pediatra já tinha feito a lição de casa, já tinha entrado em grupo no facebook, lido um monte de blogs, artigos, etc. Vi que existem zilhões de teorias e que ao invés de me sentir segura com uma, fiquei ainda mais confusa com todas as possibilidades. Tem gente que começa pelas frutas e fica assim por um tempo, tem gente que começa fruta   e papinha salgada com apenas dois legumes, tem gente que recrimina suco e por aí vai.

Primeiro passo foi pedir o cardápio da creche e surtar com ele. Como o berçário I tem crianças de quatro meses até um ano e pouquinho, o cardápio já era daqueles “completões”, cheio de coisas e para todos os gostos. Eu, mãe de primeira viagem, surtei e achei que Biel tinha que entrar naquele ritmo, já tinha separado um monte de artigos para imprimir e levar para creche e tal, para conversar/ mostrar que um bebê não poderia comer aquilo que eles estavam propondo.

Até que resolvi perguntar, né? Somos “gente fina, elegante e sincera” e descobri que eu tinha que passar as instruções do pediatra sobre a I.A. e que eles seguiriam a risca! Ufa! Sai sexta da creche em direção ao hortifrúti comprar um monte de frutinhas, legumes para o final de semana de experiências gastronômicas.

Resolvi começar pelas frutas. Cheguei em casa animada do hortifrúti e resolvi dar mamão para ele experimentar. Comeu algumas colheres, alternou caretas e sorrisos, mas comeu com curiosidade. No dia seguinte (sábado), ofereci o suco de laranja lima e ele bebeu quase 50ml. Depois ofereci uns golinhos de água de côco e ele aceitou bem. Aí chegou a hora da papinha salgada e eu surtei.

Simplesmente não sabia o que fazer. Não tinha conseguido decidir por uma única receita, não tinha decido que linha seguir. Resolvi oferecer o mamão de novo no lugar da papinha salgada e o resto do dia seria peito.

Na minha cabeça até domingo as coisas iriam se esclarecer na minha cabeça, mas não. Continuava perdida, insegura. Comecei a achar que deveria ter introduzido alimentos antes dos seis meses, para ter tido a calma para dar a primeira semana só de frutas isoladas, depois fazer papinhas doces, só depois oferecer as salgadas. Culpei meu trabalho por não me permitir ter ficado os sete meses com meu filho e fazer essa transição de modo tranquilo, já que os seis meses de aleitamento exclusivo (para mim) é/ foi muito importante. Enfim, sofri mesmo e me culpei de todas as formas que é possível para uma mãe (gente, mãe sofre!).

De certa forma, essa é a nossa “segunda separação”. Até então eu fui a única fonte de alimento do Biel. O meu leite é/ foi alimento, amor.  Pode parecer besteira, mas isso mexeu comigo…

… Até que… resolvi relaxar. Parar de me cobrar desta forma e fazer o meu melhor. Na hora do almoço dele ofereci bananinha amassada (ele comeu praticamente tudo! amou banana! e sim, fui eu quem dei! quem me conhece sabe que passo mal só de sentir o cheiro da fruta… mas amor de mãe é realmente uma coisa). Depois disso, ele ainda mamou no meu peito e dormiu. E eu dormi junto com ele, abraçadinho. E assim dormimos por umas três ou quatro horas em pleno domingo a tarde.

Acordamos, marido ficou com ele e eu resolvi fazer a papinha salgada. Fiz cenoura e batatinha no vapor, coloquei menos de uma pitada de sal, amassei com o garfo e ofereci. Ele comeu algumas muitas colheradas (não contei), mas comeu menos que a banana. Afinal, o leite materno é docinho, né? foi a primeira vez que ele comeu sal.

A noite chegou a vez de escrever na agenda, todas as instruções para a creche seguir nesta primeira semana de I.A. Fiz um mix entre as instruções do pediatra e o meu feeling de mãe de primeira viagem que acredita estar fazendo o melhor para o seu filho.

Para a creche:
– Colação: suco de laranja lima
– Almoço: papinha salgada com dois legumes (batata inglesa, baroa, doce, cenoura, chuchu, beterraba, abóbora)
– Sobremesa: nenhuma
– Lanche: fruta amassadinha (mamão, banana, maçã ou pêra)
– Jantar: leite materno

Em casa (durante a semana):
– Livre demanda de leite materno

* Final de semana vou seguir os horários da creche para criar uma rotina para ele.

Passei o dia ansiosa, tensa de como seria aceitação do Biel. Enviei leite a mais, caso ele não aceitasse as comidinhas. Pensei em ligar para a creche, mas me segurei e pensei: “se der algum problema, eles vão te ligar”. E deu!

Cheguei lá, a tia foi só elogios para o Biel. Disse que ele comeu muito bem, mas que ainda estranha a água. E que quando chegou a hora do jantar, devorou o leitinho da mamãe aqui! Muito amor! E assim, vamos seguindo! Semana que vem volto para contar nossos avanços (:

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