Hoje, exatamente hoje, faz um ano que voltei a trabalhar. Um ano que minha licença maternidade acabou, um ano que passei a dividir os cuidados do meu filho com outras pessoas. Foram cinco meses e quinze dias bem intensos, simplesmente eu não conseguia delegar seus cuidados.

Com o nascimento do Biel, nasceu também um amor sem tamanho de mim e de dentro de mim. Um amor que dói e não se explica com palavras, apenas se sente.

Foi nossa primeira separação, foi sofrida e ainda é. Sofro um pouco a cada dia, calada… Tem dias que é mais difícil, principalmente quando tem um dia bonito ou uma programação interessante para fazer no horário do expediente.

Eu sinto e ele sente.

Sinto pelo seu sorriso no olhar quando vou buscá-lo na creche e o desapontamento no olhar quando não sou eu que vou. Como ele fica desesperado para mamar quando chegamos em casa, que não dá tempo nem de tirar a bolsa ou o sapato. Quando ele não quer me deixar nem ir ao banheiro, porque me quer ao seu lado…

Eu sei que a vida é feita de escolhas e eu fiz a minha ao continuar trabalhando. Não me vejo dona de casa ou mãe em full time para o resto da vida. Foco nos momentos que temos juntos e na qualidade como dizem por aí. Além disso, gosto de me sentir ativa, exercitar a mente, produzir, me sentir desafiada, ter uma troca intelectual, ser independe financeiramente, entre um milhão de outras coisas que eu escolhi, mas isso não me impede de sentir a dor da separação e ter a consciência do peso da minha escolha em nossas vidas.

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