Nos primeiros dias, marido foi meu fiel companheiro, mas como a licença paternidade só dá direito a cinco dias corridos, durou pouco tempo. Aí foi a vez de minha mãe assumir, ela tirou férias do trabalho e veio ficar comigo quase todos os dias por três semanas. O cuidado com o Biel era de minha responsabilidade, mas sua presença era importante. Ela cuidava de mim, da minha alimentação e o melhor, me fazia companhia. Nos dias que ela não podia, minha irmã e meu pai assumiam.

Mesmo que apenas algumas horas por dia, essas companhias eram fundamentais para a minha sanidade mental e física. Até porque no início tudo é meio caótico. Biel e eu nos conhecendo… A demanda por atenção era grande. Não que ele não demande hoje em dia, mas agora ele já consegue ficar sozinho no berço ou na cadeirinha se distraindo sozinho por alguns minutos. No início, tinham dias, que eu acordava às seis da manhã para amamentar e só conseguia comer algo por volta das onze da manhã. Almoçar? tomar banho? artigo de luxo e raro. Além do mais, agora já estou mais sagaz, já descobri maneiras de entretenimento mesmo que sejam por cinco minutos, desenvolvi a técnica de fazer tudo com uma mão só, enquanto a outra segura a cria e por aí vai.

As férias da minha mãe acabaram e meus dias passaram a ficar vazios. Minha irmã tem seus compromissos e consegue vir aqui no máximo uma vez por semana, meu pai idem. Os restantes dos dias sou eu, Biel, Biel e eu. Por isso, a nossa rotina de passeio é tão rica, mas mesmo assim às vezes me sinto muito sozinha. Por mais que eu ame o meu filho e a gente fique grudadinhos vinte e quatro horas por dia e é uma delícia… ele ainda não conversa, né?  Sem contar que a maioria das visitas só podem vir fora do horário comercial. Acaba que o meu dia a dia é muito solitário.

Sem falar nas madrugadas amamentando. Talvez quem dê mamadeira sinta menos, porque dar a mamadeira é uma tarefa unisex e pode ser divida com o pai. Mas dar o peito é tarefa exclusiva da mãe. Então, são mais dois momentos do dia que eu fico sozinha, interagindo com o Biel, a televisão e as redes sociais.

Conversando com outras amigas, vejo que não estou sozinha. Muitas mães possuem o mesmo sentimento. Diante disso, cheguei a conclusão de que a maternidade é a solidão mais coletiva que existe.

Share: