Há alguns meses não quer saber de ninguém, no melhor estilo “não é a mamãe” do Baby da família Dinossauro.

Não adianta estar no mesmo ambiente, tem vezes que só meu colo serve, senão rola choro. E quem é mãe sabe o quão angustiante é ouvir o choro de um filho. Só que não dá para ficar com um baby a tira-colo pela casa 24h por dia, né? Eu preciso comer, ir ao banheiro, arrumar a casa, tomar banho, trocar de roupa… essas coisas banais só que não do dia a dia.

Sei que isso faz parte da fase. Começou por vota do nono mês, bem na época que os especialistas falam sobre a “ansiedade da separação”. Compreendo a angústia das novas descobertas, de ter a consciência de que de fato é um ser independente de mim e que eu sou o seu porto seguro e tal, mas cansa.

Nos mudamos de apartamento em março e só nas férias que tirei do trabalho (em julho) é que pude começar a colocar a casa em ordem. Porque no dia a dia, quando chego do trabalho 0u no final de semana não sobra tempo, Biel me exige em tempo integral, o que eu acho super justo, já que passamos boa parte do nosso dia separados. Ele na creche e eu no trabalho… Mas, às vezes cansa. Cansa ser a única que resolve em determinados momentos. E foi deste cansaço que surgiu a ideia das dezoito horas de férias por mês.

Sei que no fundo  tenho um pouco de culpa nisso. Quando Biel nasceu fui invadida por um amor sem tamanho, um medo e por um monte de outros sentimentos esquisitos e confusos. Eu queria fazer tudo em relação a sua vida: T-U-D-O. Pedia ajuda aos outros para qualquer outra coisa, menos com os cuidados do Biel. Nada era terceirizado.

E por muito  tempo fui feliz desta forma, só que a licença maternidade acabou, voltei a trabalhar e fui voltando aos poucos a rotina e começou a ficar pesado. Mesmo assim relutei em terceirizar, pedir ajuda e confesso que até hoje ainda reluto. Com isso, Biel é um bebê fofo, carinhoso, simpático, mas que em certas horas não aceita ninguém se não for eu. Óquei, tem a “ansiedade da separação”, mas talvez se eu tivesse permitido/aceitado mais ajuda em determinados momentos, agora a “ansiedade” fosse mais branda.

Aos poucos, estou conseguindo reverter isso e deixá-lo mais independente de mim e aceitar mais o mundo. Não tem jeito, é aquela história: um dia de cada vez e é errando que se aprende.

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