Tenho blog há muitos anos. Para ser mais exata, desde 2003. Na época o nome do blog era em inglês, eu tinha um apelido para não me identificar e mostrava apenas para alguns amigos. Blogs eram relativamente novos e eu tinha receio de me expor.

Começou o Orkut (quem lembra?), fotolog (Ui! peguei pesado! haha), depois veio o facebook, instagram e inúmeras redes sociais que fazem as pessoas ficarem conectadas 24h por dia e expor cada passo para seus seguidores. Junto com essa re-evolução das mídias sociais, também fui mudando. Resolvi assumir o blog, minha identidade e aos poucos o maisju foi nascendo. Mas ele sempre foi sobre a minha vida. Aqui é o meu espaço, posso escrever o que quero, penso, sem ter que prestar contas a alguém.

Compartilhei aqui todos os preparativos do meu casamento, escrevi relatos detalhados do grande dia e avaliei os fornecedores envolvidos. Amei escrever cada post e dividir a ansiedade e as alegrias com vocês. Depois engravidei, fiz acompanhamento semanal da barriga, das descobertas, das consultas e etc. Outro momento lindo da minha vida que compartilhei e sempre me emociono ao reler os posts.

Sempre enxerguei essa oportunidade de compartilhar o que acontece comigo de forma positiva. Ajudar e trocar experiências com pessoas que não conheço e que não conheceria, se não fosse a internet para propiciar esse encontro. Através do blog e desses encontros virtuais, tenho uma série de pessoas que se tornaram reais em minha vida e só tenho a agradecer.

Biel nasceu, tentei manter um ritmo de postagens e no início consegui. Mas com o término da licença maternidade ficou mais difícil. No entanto, desde o nascimento do Biel, algo dentro de mim mudou e passei a ter um receio de postar sobre ele, seu dia a dia, suas descobertas e fotos dele. Tanto que tinha o sonho de fazer uma montagem com a evolução da gravidez e depois com ele no eu colo, mas não rolou, não quis fazer.

Pode parecer contraditório, já que fiz o acompanhamento mensal de seu crescimento através da tag “desaniversário” e escrevi uns oitenta posts sobre ele direta ou indiretamente. Mããããs, porém, contudo, no entanto, todavia passei a me questionar se tenho esse direito. Sabe-se lá, se quando ele crescer, ele vai gostar de ver isso registrado? Eu amo! Para mim, esse registro é muito gostoso. Mas penso nele como indivíduo e que precisa ser respeitado.

Não tenho resposta ou uma fórmula para esses meus questionamentos. Tenho fases mais reclusas e outras mais saidinhas. Desde que ele nasceu, tento encontrar um equilíbrio na quantidade de postagens e seus conteúdos. Pensando sempre se eu gostaria de ter algo exposto desta ou daquela forma. Enquanto isso… vamos seguindo e refletindo.

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