O relato do parto será dividido em algumas partes. Mas posso adiantar para as curiosas (os) de plantão que tive um parto natural (livre de qualquer tipo de intervenção), na qual o respeito, o carinho estiveram presente em todos os momentos. Biel nasceu às 6:06am do dia 18 de março de 2013 com APGAR 10, 52cm e 3,475g de muita gostosura.

Durante a gravidez conversei muito com o Biel, pedia para ele me deixar curtir a primeira semana de licença pré-parto (assalariado feelings), pois tinha alguns assuntos pendentes. Queria encontrar a enfermeira obstetra (E.O) mais uma vez, comprar o livro de assinatura, arrumar a mala da maternidade, entre outras pequenas coisas. Por sua vez, marido que só tinha direito a cinco dias corridos de licença paternidade pedia para ele nascer num domingo, segunda ou terça, para ele aproveitar o máximo de dias com a gente.

A data prevista para o parto (ou 40 semanas) era dia 23/3/13, na minha cabeça ele nasceria dia 19 ou 20 de março. Algo me dizia que ele seria do signo de peixes. A semana de licença correu tranquila, aos poucos fui terminando o que deveria ser terminado e no sábado dia 16/3 marquei dois horários com a E.O (Kira) para fechar uns assuntos com a presença do maridão. Durante o mês de fevereiro ele viajou a trabalho e ficou duas semanas fora, por isso não pode me acompanhar.

No final do encontro com a Kira mencionei que tinha desinchado completamente, ela me olhou de forma reticente, desconversou falando algo que não me lembro e agendamos o próximo encontro. Eu brinquei “será que vai ter próximo encontro?”. Passei o resto do dia na rua… fui almoçar com um casal de amigos e seu filho lindo, a noite fui visitar o afilhado do marido. Chegamos em casa perto de meia-noite e lá fui eu tirar a última foto da barriga.

Ao descarregar as fotos da câmera para o computador entrei em crise… comparando as fotos da barriga percebi que a barriga estava menor. Na verdade bem menor, parecida com a foto da 37ª semana. Tanto que ia postar a foto, escrever o post, mas broxei totalmente. Resolvi me arrumar para dormir e durante esse processo fui fazer xixi, ao me limpar percebi que meu tampão mucoso começou a sair.

Pronto, de alguma forma o processo havia começado. Racionalmente sabia que o trabalho de parto (TP) poderia começar nas próximas horas ou demorar uma semana, mas fato é que ele ia começar. Terminei de me arrumar e fui dormir.

Naquele momento eu não liguei os pontos, mas barriga menor mais tampão mucoso começando a sair era um sinal de que Biel já estava encaixado.

Na semana que antecedeu ao parto, dormir estava um tanto quanto incomodo. Cada vez mais era difícil deitar, virar e me levantar da cama. Junto com isso, o número de idas ao banheiro tinha aumentado (cerca de cinco/ seis vezes por noite). Curiosamente na noite que antecedeu ao TP, não acordei uma única vez para ir ao banheiro!

Acordei por volta das sete e meia da manhã de domingo para ir ao banheiro achando que ainda era de madrugada. Fiquei feliz ao ver que a noite tinha passado e eu não tinha acordado uma única vez. Ao levantar da cama, senti um liquido escorrendo pelas minhas pernas. Pronto, minha bolsa estourou! Fui molhando o caminho da cama até o banheiro e pensando: “Graças a Deus que não estourou no colchão novo”. Ao me limpar percebi que o tampão mucoso ainda estava saindo. Coloquei o absorvente pós-parto (o líquido amniótico continuava escorrendo), sequei o chão, avisei ao marido do rompimento da bolsa, falei para ele continuar dormindo e resolvi mandar torpedos para minha obstetra e para E.O.

“Bom dia Dra. Fernanda, essa noite o tampão mucoso saiu e agora de manhã minha bolsa estourou. Estou começando a sentir contrações que parecem cólicas menstruais. Beijos Júlia, Gabriel e Rodrigo”

Rodrigo e eu tínhamos combinado não contar do início do TP para ninguém, nem para nossos pais. Queríamos curtir esse momento juntos, sem pressão, sem ansiedade.

Fui comer alguma coisa e terminar de arrumar a mala da maternidade. A maioria das coisas já estavam separadas, faltava apenas colocar tudo dentro da mala. Depois que fiz isso, voltei a dormir. Consegui dormir mais um pouco, quando acordei marido já estava de pé. Durante a parte da manhã as contrações eram irregulares, cerca de 4 por hora e me lembravam pontadas de cólica menstrual.

No início da tarde, a Dra. Fernanda me ligou para saber como estava o andamento do TP, expliquei o que estava sentindo e ela me explicou que provavelmente os meus sintomas iriam diminuir durante a tarde, para eu não ficar encucada, que a ocitocina é um hormônio da noite, que provavelmente as contrações iriam aparecer com mais força no início da noite.

Durante a parte da tarde as contrações se mantiveram irregulares, cerca de quatro ou cinco por hora, mas começaram a ficar um pouco mais doloridas. Em cada contração eu sentia que o liquido aminótico saia mais um pouco. A cada contração eu puxava a cordinha dessa lua (foto abaixo) que o Biel ganhou de um casal de amigos. A música ia nos embalando durante a contração.

lua_chicco

E de fato em algumas horas não senti contração alguma. Consegui almoçar tranquilamente sem sentir nada.

Lembrando da explicação da minha médica sobre a ocitocina ser um hormônio da noite e o que aprendi no livro do Michel Odent sobre a questão dos estímulos ao neocortex, eu achei que tinha que ficar num quarto escuro, sem muitos estímulos curtindo as contrações para o TP evoluir  – olha aí a minha tendência de controlar o incontrolável. Por volta de quatro e pouco da tarde falei com a Kira que me sugeriu ir dar uma caminhada, uma relaxada, para me distrair e deixar as coisas acontecerem.

Cheguei a descer com o Rodrigo, caminhamos um pouco, mas começou a chover, tivemos que voltar para casa.

Por volta de seis e meia da tarde, minha obstetra me ligou dizendo que uma outra E.O, a Diana, (que também faz parte da equipe da Dra.) viria aqui em casa ver como estava o andamento do TP, ver os batimentos cardíacos do Biel, etc. Ela chegou aqui por volta de sete e meia da noite, a esta altura as contrações estavam ficando mais intensas, mais doloridas. A cada contração o meu corpo se contraía por inteiro.

Ela aferiu minha pressão, viu os batimentos cardíacos do Biel, das artérias, do cordão umbilical, tudo perfeito. Enquanto ela estava aqui pintou uma contração e foi bom porque ela pode acompanhar a evolução e a recuperação do Biel.

Vou dizer que a vinda da Diana antes do TP engrenar de fato foi fundamental, porque aquela altura, no final da tarde/ início da noite, os meus medos, as minhas neuras estavam surgindo. Medo do TP não engrenar, de não ter dilatação, medo de não aguentar, de ser muito difícil, medo do Biel não estar bem e por aí vai estavam assolando a minha mente… Impressionante, tudo que aprendi durante os meses de gestação eram colocados a prova. Eu racionalmente sabia que um monte dos meus medos eram irracionais, que não faziam sentido, mas vai explicar isso para o seu lado emocional?

… to be continued…

Para ler a segunda parte do relato, clique aqui: Relato de parto – parte 2

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