Relato de parto – parte 1

O relato do parto será dividido em algumas partes. Mas posso adiantar para as curiosas (os) de plantão que tive um parto natural (livre de qualquer tipo de intervenção), na qual o respeito, o carinho estiveram presente em todos os momentos. Biel nasceu às 6:06am do dia 18 de março de 2013 com APGAR 10, 52cm e 3,475g de muita gostosura.

Depois que a Diana (E.O) saiu daqui, resolvemos lanchar. Pedimos comida e seguindo o conselho da Diana pedi um suco de melancia com gengibre. Não dizem que comidas picantes ajudam no TP? Era a hora de tentar! Aquela altura as contrações estavam começando a ficar bem incomodas. Como falei na primeira parte do relato, a cada contração meu corpo se contraía por inteiro. Neste momento mandei mensagem para minha obstetra, falei que estava monitorando as contrações, expliquei que elas já estavam intensas e constantes.

Ela me conhecendo e sabendo da minha tendência de querer controlar a situação respondeu: “Oi Ju, lembra da máxima do Odent que a adrenalina é antagonista da ocitocina? Enquanto você estiver esperando as contrações elas não virão. Relaxe e não conte. Quando a coisa apertar você vai perceber. Passe a função de contar para o Rodrigo, desde que ele não te passe o relatório. Apenas surfe na onda e confie no seu corpo. Beijos”

Fiz o que ela mandou, Rodrigo assumiu o controle. Logo em seguida, ligamos para a Kira e pedimos para ela vir aqui para casa, pois as contrações já estavam constantes, ritmadas e bem doloridas. Ela passou algumas instruções para o Rodrigo, dentre elas me colocar debaixo do chuveiro com água quente. E lá eu fiquei até ela chegar.

Sentei debaixo do chuveiro, no chão mesmo e deixei a água bem quente cair sobre o meu corpo. A cada contração eu fazia uma conchinha com a mão e jogava a água na barriga, isso ajudava e muito a aliviar a dor. Quando a Kira chegou esse recurso já não adiantava mais, as contrações já estavam bem forte e incômodas.

Neste momento, ela me ensinou uma das coisas mais valiosas do TP: como passar pela contração. Ela percebeu que ao iniciar a contração, eu estava contraindo todos os músculos do meu corpo e explicou que eu deveria fazer justamente o contrário. Então, depois de absorver o que ela me falou – porque acreditem, neste momento você já está num universo paralelo chamado partolândia e o seu corpo tem vida e vontade própria – eu desenvolvi um método de respiração e relaxamento. A cada contração, eu me concentrava, respirava profundamente e relaxava todos os músculos do meu corpo. Isso me ajudou e foi fundamental.

Fiquei debaixo do chuveiro por mais alguns minutos e até que ela me tirou de lá, me levou para cama. Aferiu os batimentos cardíacos do Biel e viu a minha dilatação. Eu tinha combinado com ela e com a Fê, que eu não queria saber quanto eu estava de dilatação.

Pensem comigo, se depois de tudo que eu já tinha passado descobrisse que não tinha dilatação alguma ou estava com 2cm de diltação, a minha cabeça iria pirar, meu neocortex seria super ativado e poderia atrapalhar a evolução do TP. Por isso, a Kira só contou para o Rodrigo e para obstetra. Depois eu fiquei sabendo que naquela altura já estava com 6cm de dilatação.

Em algum momento (lembram que eu estava num universo paralelo? não consigo lembrar de cada minuto) a Kira, a Dra. Fernanda decidiram que já era o momento de ir para a maternidade, por volta de meia-noite e meia/ uma da manhã. Nesta hora, Rodrigo foi tomar banho e terminar de se arrumar. Ao mesmo tempo, a Dra. estava checando em qual unidade tinha vaga no quarto de parto humanizado.

Durante a parte da tarde tinha vaga na unidade mais perto da minha casa (local de minha preferência), mas de noite já não tinha mais. A Kira veio me perguntar se eu topava ir para a unidade da Barra ou se preferia ir para a unidade de Laranjeiras ficar num quarto comum. Lembrei do relato de uma amiga, na qual ela me falou que o trajeto tinha sido uma das piores partes do TP. Por conta disso, cheguei a titubear mas acabei optando pela unidade mais longe – e foi a melhor coisa que fiz ever, explico melhor nas considerações finais!

Marido pediu um táxi (que chegou super rápido). Ele e a Kira se encarregaram de levar tudo, eu só lembro de ter pego o meu travesseiro. Sempre fiquei imaginando se o taxista ao ver que era uma gestante em trabalho de parto se ele iria recusar a a corrida (hahaha), mas não, ele foi super tranquilo, colocou  uma música baixa e foi rápido, mas sem ir correndo.

Eu estava preparada para ter as piores contrações no carro, mas me surpreendi. Lembro da Kira me contar depois que eu me “comportei” muito bem durante o trajeto, que eu praticamente sorria entre uma contração e outra (hehehe).

Entrei no carro, fechei os olhos, agarrei fortemente o travesseiro contra a minha barriga e fazia a técnica que desenvolvi com a dica da Kira. Isso junto com o balancinho do carro me ajudava a relaxar. Acho que nunca curti tanto uma rua com asfalto irregular…

A esta altura já tinha percebido um padrão nas contrações. Dificilmente vinham duas contrações bizarramente doloridas uma atrás da outra. Normalmente vinham umas duas ou três fracas ou medianas, aí vinha uma fortona. Diante disso, durante o trajeto eu tive apenas duas contrações bem dolorosas, lembro que uma foi no túnel Zuzu Angel, agarrei fortemente o “puta que pariu” do táxi (alguém conhece outro nome para este acessório?), tentei relaxar, mas não ajudou não.

Chegamos na maternidade por volta das duas da manhã. Mal saí do táxi e veio o segurança com a cadeira de rodas. A minha obstetra querida já estava lá, na porta da maternidade me esperando. Ela perguntou se eu precisava da cadeira e eu metida a corajosa falei que não. Lembrei de uma das nossas consultas, onde ela me contou que durante o parto da filha dela ela não quis usar a cadeira de rodas para sentir o que as parturientes dela do serviço público sentiam. Eu já estava no corredor, mas veio uma contração, daquelas mega fortes, e eu implorei pela cadeira de rodas. Percebi que era impossível colocar em prática a minha técnica de “passar pela contração” em pé, andando.

Ao mesmo tempo, o recepcionista da maternidade quis “me barrar”, dizendo que eu tinha que fazer a pré-internação, assinar documentos, essas burocracias. Lembro da minha obstetra ter respondido de forma firme algo do gênero: “ela está em trabalho de parto avançado, quase parindo, não vai parar para nada” hehehe minha ídola! Seria impossível ficar ali preenchendo formalidades. Lembro que o Rodrigo ficou para fazer algo e eu segui para o centro cirúrgico.

… to be continued…

Para ler a terceira parte do relato, clique aqui: Relato de parto – parte 3

ps. calma! para chegar na sala de parto humanizado é necessário passar pelo centro cirúrgico!
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