contração_maisju

as minhas contrações

Relato de parto – parte 1

Relato de parto – parte 2

O relato do parto será dividido em algumas partes. Mas posso adiantar para as curiosas (os) de plantão que tive um parto natural (livre de qualquer tipo de intervenção), na qual o respeito, o carinho estiveram presente em todos os momentos. Biel nasceu às 6:06am do dia 18 de março de 2013 com APGAR 10, 52cm e 3,475g de muita gostosura.

Para chegar na sala de parto natural/humanizado é preciso passar pelo centro cirúrgico e vestiário, ali precisei trocar o vestido para colocar aquela camisola de hospital, touca e sapato descartável. No meu mundo ideal eu estaria consciente para colocar o biquíni que tinha separado, mas a esta altura eu já estava com o corpo inteiro na partolândia e querendo chegar o mais rápido possível na banheira da sala de parto.

Lembro de estar aguardando sentadinha num banco de madeira do vestiário nada confortável quando veio uma contração muito muito forte. Lembro que avisei a Fernanda que estava vindo uma das fortes, mas não lembro de muitos detalhes.

Chegando na sala de parto, deitei na cama para verem a minha dilatação. E apesar delas terem trocado informações bem baixinho, desta vez eu escutei que estava com 9cm de dilatação. Meu neocortex agradeceu. Pode parecer contraditório (e de fato é), mas apesar de conscientemente não querer receber informações, foi bom saber que tudo estava caminhando.

O trabalho de parto é um momento de muita introspecção para a mulher. Arrisco a dizer que é solitário também. Apesar de estar de corpo presente naquela sala, muitas vezes a minha mente voava longe e ia de encontro com os mais variados pensamentos e medos, que devido a concentração e a entrega do momento ficaram só na minha mente.

Continuei na cama para receber o antibiótico de profilaxia. Aqui cabe um parênteses, eu tenho um sopro no coração congênito (PCA), que nunca me causou nenhum problema ou restrição, mas todo e qualquer procedimento “cirúrgico” ou que envolve risco de infecção eu preciso fazer profilaxia. Sendo assim veio uma enfermeira da maternidade para fazer o acesso venoso. Lembro que uma amiga contou que esta parte era bem chatinha e eu já estava esperando o pior. Mas nem achei, foi super rápido. Lembro que comentei na hora: “mas já acabou?”. 

Dali segui para a banheira, que aquela altura já estava cheia de água quentinha e com a hidromassagem ligada. A luz do banheiro estava apagada. A cada contração eu jogava cada vez mais água na barriga e tentava relaxar os músculos do meu corpo. Entre uma contração e outra eu cheguei a cochilar. Fiquei assim um bom tempo, só eu e Rodrigo.

Até que a minha técnica de relaxar os músculos começou a não surtir efeito. As contrações estavam vindo cada vez mais fortes, num espaço de tempo menor. Com medo de assustar o Rodrigo, pedi para ele sair e chamar a Kira. Ela chegou e sugeriu que eu saísse da banheira. Tentei algumas vezes, mas as contrações não me permitiam fazer força para levantar. Pelo contrário… Em uma das contrações agarrei/ abracei fortemente as pernas da Kira e falei que estavam doendo muito. Neste momento, pensei alto e cheguei a pedir anestesia, mas mal terminei a frase e falei que não queria:
– “Kira, quero anestesia! quero mais não!” (hahah louca!)

Consegui sair da banheira e chegar na cama do quarto. Neste momento estava sentindo frio e por mais que tivesse secado o corpo, o cabelo estava molhado. Tentei algumas posições como ficar de cócoras, mas simplesmente era im-pos-sí-vel para mim. As contrações estavam cada vez mais intensas e dolorosas. Deitei na cama meio de lado, com a perna direita levantada.

Aqui cabe um outro parenteses, uma das coisas legais desse quarto de parto humanizado é a cama que eles disponibilizam, tem uma barra de ferro que encaixa em várias posições da cama e que ajudam durante as contrações e o período expulsivo. Então a minha perna direita estava apoiada no alto, nesta barra de ferro.

Biel já estava no canal vaginal e a cada contração ele descia um pouquinho. Rodrigo ficou do  meu lado, ora segurando minha mão ora me fazendo carinho, me dando beijo e assim ficou até o final.

Comecei a sentir uma tímida vontade de fazer força, uma vontade consciente. Aos poucos o meu corpo foi assumindo o controle. A contração vinha, eu aproveitava o apoio da perna direita na barra de ferro e fazia força contra ela usando os braços. Junto com a força eu gritava.
Até que minha obstetra me alertou:
“Ju, você está fazendo força para dentro e não para fora”

Levei alguns segundos para processar a informação e a verdade era que eu estava com medo de fazer cocô (quem nunca?). Demorei algumas contrações para entender o que eu tinha que fazer e me desprender do medo. Quando isso aconteceu, a cada contração eu fazia força e gritava. É como se a vontade de gritar ajudasse no processo de expurgar a dor. Pensei, se alguém estiver passando do lado de fora vai achar que tem alguém morrendo aqui dentro, mas ao mesmo tempo eu não estava nem aí e gritava mesmo.

Depois de algum tempo, ela pediu para eu mudar a posição para ajudar o Biel. Ele já estava no final do canal vaginal, mas ao invés de descer fazendo a rotação, ele desceu sem rotacionar. Neste momento fiquei na posição quatro apoios e a cada contração eu fazia força, até que ele fez a rotação e eu voltei para a posição que eu estava anteriormente.

Voltei a fazer força e gritar, foi quando a Fernanda me deu outro toque importante: “Júlia, você está perdendo sua energia gritando desta forma, use a contração para fazer força, mas use sua respiração”. A partir daquele momento, foquei minha energia e concentração na respiração. A contração vinha, meu corpo automaticamente começava a fazer força e eu dava prosseguimento ajudando com a respiração.

… to be continued…

Para ler a quarta e última parte do relato, clique aqui: Relato de parto – parte 4

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