Relato de parto – parte 1
Relato de parto – parte 2
Relato de parto – parte 3

Última parte do relato de parto, depois desse post faltará apenas as minhas considerações finais. Esse post termina com o Biel em meus braços, mamando em sua primeira hora de vida. Para os ansiosos ou para quem chegou aqui pela primeira vez, tive um parto natural (livre de qualquer tipo de intervenção), na qual o respeito, o carinho estiveram presente em todos os momentos. Biel nasceu às 6:06am do dia 18 de março de 2013 com apgar 9/10, 52cm e 3,475g de muita gostosura.

Mesmo focando minha energia na respiração e contração, Biel terminava a descida no canal vaginal de forma lenta. A esta altura as contrações eram as mais dolorosas, duravam mais tempo e os intervalos eram menores. Neste momento, Dra. Fernanda falou: “ao invés começar a fazer força no início da contração, espera ela ficar bem forte, aí sim faz força, com uma série de respirações seguidas, continuando até o final da contração”. Mal comparando, como se eu fosse surfista, que ao invés de ficar em pé na prancha logo no início da onda, espera o momento exato de levantar para aproveitar ao máximo a força do mar.

Este é um momento do TP que você acha que não vai acabar nunca. Você dúvida do seu corpo, você encontra os seus medos e neles você tem que buscar força para sair dali e parir seu filho. Nessa hora, o apoio do meu marido e da equipe que escolhi foram fundamentais. Pois quando você duvida de você mesma, eles acreditam e te passam a certeza e a segurança de que está tudo no caminho certo.

Kira, com suas doces palavras, me falou em uma das contrações: “se entrega, lembra que a contração é sua amiga, é ela que trará o seu bebê para você”. Fernanda complementou: “chegou aquele momento que conversamos diversas vezes nas consultas, chegou o momento em que você tem se jogar do paraquedas”.

Absorvi aquelas frases e em pouco tempo meu corpo processou as informações. Decidi parir. Uma força tomou conta do meu corpo, eu me concentrei ainda mais na contração. De vez enquando eu chamava pelo meu filho. Num dos intervalos entre uma contração e outra, Dra. Fernanda comentou: “vamos Ju… falta pouco, estou vendo ele… sente seu filho, coloca a mão na cabeça dele”.

Lembro que estiquei meu braço receosa, sempre tive um certo nervoso desta cena, mas era meu filho nascendo, era o momento de vencer todas as minhas barreiras, medos e frescuras. Toquei sua cabeça, seus cabelos, aquilo me deu força para continuar. Eu já não aguentava mais, nesse momento veio mais uma contração e de fato sua cabeça começou a sair. Foi a maior dor da minha vida. Sensação de que de fato tinha algo me rasgando ou de uma forma poética, matando aquela a velha Júlia, para nascer uma nova. Nessa hora eu gritei com a Dra.: “Fernanda, o que você está fazendo? tira a mão daí”.

A sensação que eu tinha, é que ela estava com a mão dentro de mim. Eu lembro com muita lucidez desta hora. Ela, calmamente, quase sorrindo, respondeu: “Ju, não estou te encostando, é o seu filho saindo”. Ao mesmo tempo ela levantou as mãos para o alto, como se quisesse comprovar que não estava encostando um dedo se quer em mim.

A contração foi embora e Biel estava no meio do caminho, a dor era insuportável. Lembro de ter pedido um pouco de água para molhar a minha boca enquanto não chegava a próxima contração. Esses momentos finais são um pouco confusos em minha cabeça. Em mais uma ou duas contrações, fazendo força e sentindo a maior dor física da minha vida, Biel nasceu, às seis e seis da manhã de uma segunda-feira chuvosa de março.

Ele saiu de dentro de mim, sem chorar e veio imediatamente das mãos da Dra. Fernanda para o meu colo e ali ficou por mais de uma hora. Segundo meu marido, ele veio para o meu colo, de olhos abertos, me olhando. Meus olhos encheram de água, mas eu não chorei. O amor mais lindo e puro estava em meus braços e chorar deixaria minha visão turva.

Ficamos ali, os três abraçados, meio sem jeito, sem acreditar em tudo que tínhamos vivido nas últimas horas. Kira registrou o momento com algumas imagens. Após o cordão umbilical parar de pulsar, Rodrigo o cortou.

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Biel ainda ficou no meu colo, tentando mamar, cheirando, lambendo, mamando e descobrindo o mundo. Depois de parir o meu filho, tinha que parir a placenta, que por sua vez, estava apegada e não queria sair. Foi necessário uma força tarefa: Biel mamando, Kira fazendo massagem, acupuntura, Fernanda tentando soltar a placenta. Depois de uma hora e aos poucos, ela saiu.

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Depois que a placenta saiu, Kira, Rodrigo e a pediatra neonatal levaram Biel para o berçário para os procedimentos padrão. E eu fiquei com a Dra. Fernanda e uma enfermeira na sala de parto. Biel nasceu às 6:06, mas antes das oito da manhã, nós três já estávamos no quarto.

ps. no próximo post, algumas considerações finais, impressões e notas mentais para a próxima gravidez.

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