Depois de uma maratona intensa de natal: três casas, três lados da família, muito amor envolvido (e muitas rabanadas também). Estava dormindo e por volta das duas e meia da manhã, Biel sentou na cama e começou a fazer carinho em mim. Acordei, abracei fiz carinho de volta e pedi para ele ir dormir porque eu tinha acabado de deitar. Fiquei mais um tempo naquele sono leve até que senti uma água vasar. Não era muita quantidade, o que me fez pensar: “em que ponto chegamos, fazendo xixi sem querer”. Levantei e fui checar o estrago. “Hummmm isso não está com cara de xixi”. Cheiro a calcinha – dizem que líquido amniótico tem cheiro de água sanitária, mas não sinto nada. Como não tinha certeza se era ruptura de bolsa, apenas coloquei um absorvente, resolvi aguardar e não acordar o marido.

Vou para sala e vejo se tem alguém online. Duas amigas, a madrinha do Rafa e uma amiga de barriga, estão e começo a conversar. Por sorte, naquele dia tinha pego as roupas de recém-nascido lavadas com a minha mãe e resolvi organizar a mala da maternidade. Como de tempos em tempos saía um pouco de líquido, cheguei à conclusão que a bolsa tinha rompido mesmo, provavelmente uma ruptura alta e por isso não tinha acontecido aquela enxurrada que aconteceu no Biel.

Ao mesmo tempo que a ficha da bolsa rompida foi caindo, caiu também o fato de que meu filho nasceria prematuro (35s6d) e não tinha ninguém da minha equipe médica no Rio. A Dra. Fernanda sempre tira viaja na mesma época do ano e a enfermeira obstetra, Kira, também ia tirar a última semana do ano de férias. Ou seja, se de fato a bolsa tivesse rompido e o TP engrenasse, eu estava sem a equipe que escolhi.

Como estava sem contrações, mandei mensagem para me certificar que a Dra. Fernanda estava longe mesmo e resolvi esperar dar sete da manhã para entrar em contato com a obstetra back-up, Mariana Vaz. Aqui, cabe um parêntese. Tive um hematoma pequeno no início da gestação, mas com sangramento persistente. Dra. Fernanda pediu para fazer ultra com ela, fiz ela foi atenciosa e me senti acolhida. Quando chegou a hora de marcar a próxima ultra (translucência nucal), resolvi marcar com ela de novo. Ao entrar na sala de exame, ela olhou para mim, para minha ficha no computador e perguntou:  “Como está o sangramento? Parou?”. Pronto, naquele momento me ganhou, me senti acolhida, querida. E quando fui conversar com a Dra. Fernanda sobre quem seria a médica de back-up, não tive dúvidas, pedi para ser ela. Fecha parêntese.

Vale mencionar que na semana anterior, senti muitas contrações a noite. Nada ritmado e zero dor. Só barriga bem dura. Tanto que na ultra de 35 semanas, comentei com a Dra. Mariana. Ela fez alguns exames e viu que estava tudo dentro das normalidades e recomendou vida normal.

Foto da janela do antigo apê.

foto tirada pela minha amiga, da janela da casa dela em Santa Tereza

Pontualmente às 7h liguei para Dra. Mariana, que me recomendou ir à maternidade fazer um exame para ver se a bolsa tinha rompido enquanto ela veria qual enfermeira poderia me acompanhar. Acordei o marido e expliquei o que estava rolando. Como não tínhamos certeza de nada, resolvemos deixar o Biel na creche sem contar nossas suspeitas.

Chegando na maternidade fizeram aquele exame para ver o PH vaginal e monitoraram as contrações. O PH vaginal deu inalterado, o que fez a médica que me atendeu chegar à conclusão de que era um muco bem líquido e não líquido amniótico. Rafa ainda estava alto, colo do útero fechado (mas apagado). Bastante líquido, placenta boa, cordão umbilical bom também. Apareceram algumas contrações no monitoramento, todas sem dor, mas algumas “interessantes”. Rafa se recuperava bem depois delas. A indicação da plantonista foi apenas ir para casa descansar e pegar leve. E assim, marido foi para o trabalho e eu para casa.

Aproveitei para dormir. E lá se foram umas três, quatro horas seguidas. Acordei para ir ao banheiro e senti uma dorzinha. Voltei para cama e dormi mais, até que acordo com a bolsa rompendo. Aquela clássica enxurrada de líquido amniótico. Dessa vez era para não deixar dúvidas. Junto veio o tampão mucoso. Mandei mensagem para Dra. Mariana na mesma hora, que me pediu para encontrar com ela às 15h na maternidade, para me examinar.

Lá repetimos os exames feitos na parte da manhã e desta vez não tínhamos dúvida da bolsa rota. O que provavelmente aconteceu de noite: ruptura alta e como o tampão mucoso não tinha saído, acumulou líquido entre as membranas que foi sendo liberado aos poucos ao longo da noite. Quando cheguei na Perinatal de manhã, não tinha mais reserva e por isso o PH não deu alterado.

Sendo assim, Rafa nasceria prematuro de 36 semanas. E por ele ser prematuro, a conduta do parto seria diferente. Eu não poderia voltar para casa para esperar o trabalho de parto engrenar. Pelo contrário, eu deveria ficar na maternidade sendo monitorada e se demorasse muito, seria necessária indução. Rodrigo e eu fomos almoçar e depois ver a burocracia para internar e aguardar o TP começar.

(continua em breve)

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