O corpo dá sinais de que a gente precisa desacelerar. Logo eu que sempre me senti poderosa grávida e nunca fui de aceitar que fizessem as coisas por mim. Também conhecida como síndrome da mulher maravilha, que dá conta de tudo e de todos. Mesmo me sentindo poderosa nas duas gravidezes, sempre tive medo de chegar no banheiro para fazer xixi e encontrar sangue na calcinha. Respiro aliviada quando vejo que não tem nenhum sangramento.

Na última segunda (4/7), estava no trabalho e comecei a sentir uma umidade na calcinha. Como é comum grávida ficar mais úmida, fiquei encucada mas queria terminar um trabalho logo para ir embora. Chegou a hora, me dirigi ao banheiro com as minhas amigas. Abaixo a calcinha e vejo sangue vivo. Dou um berro “estou sangrando! ”.

As meninas demoraram alguns segundos para entender o que significava. Pronto, eu já estava tremendo da cabeça aos pés. Sai da cabine, tentei falar com minha obstetra, mandei mensagem e resolvi ir direto para uma maternidade perto do meu trabalho. Em dez minutos estava lá, aguardando atendimento. Liguei para o marido, que ficou tão desesperado quando eu e resolveu se encaminhar para lá com o Biel.

Confesso que tinha medo do atendimento, sempre me falaram da falta de tato dos profissionais nesse momento tão delicado. A enfermeira que me atendeu na triagem, foi muito doce, me tranquilizou, aferiu minha pressão (10/6) e me encaminhou para ultrassonografia.

Nos longos trinta minutos até ser atendida de fato e fazer a ultra, meditei, tentei me acalmar, claro que me desesperei em alguns momentos. Pensei em tudo o que passou, no que viria, lembrei de todas as minhas amigas que já perderam seus babies, de tudo que elas passaram, da falta de sintomas. Comecei a apertar meus seios para ver se ainda estavam doloridos e para o meu desespero não estavam muitos. Avaliar o meu grau de enjoo durante o dia e também não tinha sido nada relevante. Também não sentia cólica e não sabia se essa ausência era bom sinal. Pensei no Biel, que já ama o(a) irmão(ã), que fala que é o “bebê” dele, como eu iria explicar para meu filho que não tinha mais bebê na minha barriga. Olha, passa tanta coisa na cabeça, tantas possiblidades que parece loucura.

Chegou a hora do atendimento, Rodrigo ainda não tinha chegado, uma amiga me acompanhou. A médica me perguntou o que tinha acontecido e em todo momento procurava me tranquilizar. Até de fato começar o exame e a gente começar a ver alguma coisa, bateu um medo desesperador. Não estava preparada (quem está?) para não ver um coração batendo. Deu vontade de sair correndo e não saber de nada. Mas ao mesmo tempo a gente quer saber, quer se tranquilizar.

O exame começou, a médica logo visualizou um bebê, fico aliviada e começo a enxurrada de perguntas: “Coração batendo? Idade gestacional aproximada? O que causou o sangramento? ” Batimento cardíaco de 153bpm, idade gestacional aproximada de 11 semanas e 1 dia (super batendo) e não tinha nenhum descolamento na placenta, mas tinha um pequeno hematoma.

Por conta disso, minha obstetra me passou quatro dias de repouso em casa, sem segurar filhote no colo, sem me esforçar. Na própria segunda à noite, o sangramento de cor viva foi diminuindo e nos dias que seguiram se transformou em cor de café. Chegaram a sair uns pequenos coágulos que me assustaram, mas a Dra. me explicou que era o corpo trabalhando, que era o final do que tinha acontecido na segunda. Pediu também que eu não fizesse “caminhadas”, no estilo exercício físico nos próximos quinze dias e principalmente não passar por grandes estresses.

Desde então estou em casa, de molho. Tentando me manter calma e acreditar no poder do meu corpo de gestar uma vida, no que está escrito para nós e tentando me conectar com meu bebê.

Aproveitei o tempo livre para voltar a escrever no blog e relembrar cada segundo desde que descobri a gravidez, os sentimentos de descoberta, felicidade e gratidão e isso me acalmou dentro do possível e me fez bem.

Share: