“Amamentar não é só amor e produção de leite.
É apoio, persistência e informação”

Li essa frase em um dos muitos textos publicados na internet por conta da “Semana Mundial de Aleitamento Materno” e me identifiquei. Na primeira #SMAM que participei (2013) tinha uma visão muito simplista de tudo e todo movimento político em torno do ativismo pró-amamentação. Naquele momento, Biel tinha apenas três meses, eu estava realizando o meu sonho de amamentar e amava as sensações e a ligação com meu filho proporcionada pelo ato. Leite materno era o meu amor líquido, mais uma forma de doação que a maternidade me apresentava.

De modo geral, não posso reclamar da minha trajetória. Foi fácil? Não, no começo doeu muito, fiquei com os seios muito muito muito feridos. Para conseguir amamentar, eu ia para o quarto para me concentrar e aguentar a dor. Passeis dois meses e pouco andando como índia em casa, passando meu próprio LM e jato frio de secador de cabelo após as mamadas para ajudar na cicatrização do seio. Também enfrentei um bebê que não ganhava peso, que demorou a recuperar o que perdeu nos primeiros dias de vida. Fui ao IFF algumas vezes, fui acolhida por lá e recebi muita ajuda e incentivo para continuar. Não só no IFF, mas de amigos, parentes, grupos de apoio e o próprio pediatra do Biel, que acompanhou tudo de perto e nunca, nunca sugeriu qualquer outro tipo de leite que não fosse o meu. E claro, tinha também a minha força de vontade de fazer acontecer.

Pode parecer besteira, mas isso faz muita diferença. Quando não se tem apoio ou informação, é mais difícil persistir. Nem sempre o ato de amamentar é orgânico e natural para mulher. E logo de cara, a indústria alimentícia e farmacêutica tem uma solução pronta e fácil para as mães que passam por qualquer tipo de dificuldade. Já pensaram em quanto essas indústrias ganham com isso??? No outro dia, li um texto (mas não salvei o link e perdi a referência), de que se todas as mães conseguissem amamentar os seus filhos até os primeiros seis meses de vida, esse sector iria a falência.

Claro, existem casos em que a amamentação de fato não é possível. Mas para todos os outros casos, o que falta é apoio a mãe que amamenta. Apoio especializado que abrace a causa, a mãe e o bebê.

Por aqui, conseguimos completar os seis meses de aleitamento exclusivo, depois a minha meta pessoal de um ano e estamos em 868 dias de amamentação and counting… Dois anos e quatro meses e dezesseis dias. Não mais em livre demanda. Aos poucos, nós (ele e eu) fomos diminuindo as mamadas. Atualmente é só para dormir, seja soneca da tarde ou a noite, e para acordar.

E a falta de apoio continua, até aumentou. Talvez a expressão não seja falta de apoio, seja preconceito mesmo. Quando deixo escapar que Biel ainda mama, sou repreendida com olhares de desaprovação, quando não levo bronca e escuto: “que estou apenas me satisfazendo”, “que estou infantilizando”, “que vou causar traumas psicológicos ligados a sexualidade”, “que ele vai ficar viciado em peito”, “que o leite não tem mais qualidade nutricional”, etc. Acabo fazendo cara de alface dependendo do grau de intimidade ou da abertura da pessoa para escutar e aprender.

Não acredito em nada disso, acredito em evidências científicas que comprovam que o LM durante o segundo ano de vida tem propriedades bem similares ao primeiro ano de vida. Em 500 ml, temos:
*95% do total de vitamina C necessária;
*45% do total de vitamina A necessária;
*38% do total de proteínas necessárias;
*31% de calorias necessárias.

Sem contar nos benefícios imunológicos da amamentação prolongada, Biel foi um bebê e é uma criança que ficou doente pouquíssimas vezes. O que significa menos idas ao pediatra, menos remédios… Por isso, por aqui… o desmame continuará gradual e acima de tudo, respeitando a nossa vontade.

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